terça-feira, 24 de junho de 2008

cada um com os seus problemas



Um dos grandes problemas do políticamente correto no planeta é essa idéia de tolerância.
Não é uma questão de tolerar as diferenças , mas de reconhecer o direito dos outros de cuidarem de suas próprias vidas.Não importa aos outros o que eu faço, ninguém deve me tolerar , não devem cuidar da minha vida.Da mesma forma , pouco importa a mim o que eles fazem, oras!
O mundo sofre muito com essa mórbida necessidade que se tem de fuçar a vida alheia.
Salvas as questões humanitárias , é muita prepotência julgar as outras culturas. Que importa a mim se meu vizinho come cachorros ao invés de porcos? E que muda se esse sujeito não é meu vizinho , mas mora do outro lado do Pacífico e lá o povo prefere caninos aos meus suínos?Por que um cardápio seria melhor que o outro?Comer lesmas seria mais civilizado?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

ÀS A VERSOS




Grupo hasteia Bandeira do lirismo dos bêbados nas ruas de Bauru

Não se surpreenda caso encontre no pára-brisa de seu carro um bilhetinho azul com um poema de Maiakovski ou Fernando Pessoa, nem se por acaso vir alguém declamando versos de Vinícius de Moraes em plena Praça da Paz.
A partir das primeiras semanas de maio, um grupo de estudos, IN-vazão poética, passará a divulgar poemas nas mais variadas e inusitadas formas, pela cidade de Bauru, principalmente no campus local da UNESP.
Coordenado pela Professora Doutora Maria do Carmo Almeida Corrêa, do Departamento de Ciências Humanas da universidade (CHU), o grupo tem a pretensão de difundir a literatura, sobretudo na forma de poema e de conto, tanto para os universitários quanto para a população em geral, que tem um menor contato com esse tipo de produção artística.


O grupo é formado principalmente por graduandos dos cursos de Comunicação da Unesp, mas aceita qualquer pessoa como membro, basta que se goste de poesia e que se compareça às reuniões todas as quintas-feiras, às 17h30. Nesses encontros, divulgam-se idéias e projetos para a divulgação das obras de grandes escritores, de poetas menos conhecidos, e também, obras de autoria dos próprios membros. Esses planos são analisados e, então, idealizadores e entusiastas juntam-se para desenvolvê-los.


Entre os projetos atuais, está a emissão de 500 folhetins de 12 páginas, nos quais serão encontradas obras consagradas em meio a novos poemas e contos de “amadores”, num formato bastante criativo, que serão distribuídos por regiões movimentadas da cidade.
Um outro projeto, um tanto mais ousado, pretende entregar pequenos recortes com versos famosos, com temas variando entre a sátira e o lirismo. A ousadia está na forma de entrega: os recortes serão pregados nos carros, colocados nas bolsas, colados nos coletivos, entre outras formas, sem limites para o absurdo.


O grupo IN-VAZÃO POÉTICA engaja a popularização da poesia, e propõe a leitura às pessoas cuja rotina as impede ou as distancia desse prazer. E a etiqueta em locais públicos não parece atrapalhar, não se assuste caso ouça alguém no ônibus, sem qualquer motivo aparente, dizer em alto e bom tom que "Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente...".
Entre os vindouros projetos do grupo, há a produção de um folhetim com tiragem de 500 exemplares, que trará impressos versos dos grandes autores da poesia nacional e poemas de aspirantes na carreira. A proposta do impresso, além da divulgação de novos poetas, será a aproximação dos públicos a uma poesia distinta daquela consagrada, como os sonetos de Camões. Estarão presentes, entre outros, o lirismo de Vinícius de Moraes, o escárnio de Gregório de Matos, a irreverência de Bocage e o ceticismo de Augusto dos Anjos, seja nos poemas que escreveram, ou pela influência que exercem nos poetas das gerações que os sucedem.


Eventos em conjunto com o curso de relações públicas da FAAC, faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, e com a FEB, faculdade de Engenharia de Bauru, unidades da Universidade Estadual Paulista, também estão na pauta do grupo, que desenvolve diversas atividades com a poesia, desde a seleção de poemas para exposição em murais à declamação de sonetos ou odes, sempre com o intuito de colorir a alma das pessoas, seja com o azul triste de Manuel Bandeira ou com o verde alegre de Alberto Caeiro
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ZARCILLO BARBOSA, uma vida em notícia

. Os problemas, as idéias, as dúvidas e as certezas de um homem sem meias palavras, que desde os quinze anos ,atende por jornalismo.
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SARAU-BUBA, COCA, ETERNA, GLICOSE, GRINGA, MUSTA, JB

Faltava um revisor no jornal O Correio de Marília.Um professor de português, que fazia parte da equipe de revisão do jornal, com a necessidade de um substituto para o cargo sobressalente, reconheceu em um de seus alunos a habilidade que a profissão requisitava.Assim começava a carreira de Zarcillo Barbosa, então um jovem aos quinze anos. Hoje, já com seus cabelos brancos, ele é um experiente jornalista e professor doutor da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP).

SARAU - Em sua carreira, o senhor tem que viajar para vários lugares, com vários compromissos e horários. Como fica sua relação com a família?

ZARCILLO BARBOSA - A família é um problema muito sério. Um jornalista tem que trabalhar muito, não tem hora para nada. Quando atinge um grau profissional, ele não pode ficar trabalhando apenas cinco horas por dia, como é a jornada de trabalho de um jornalista. É necessário outro emprego. São dez horas por dia. Isso é um grande problema para família, porque as esposas, os filhos, querem o pai e o marido dentro de casa, e isso nem sempre é possível. Você trabalhar em um jornal, você tem uma jornada estafante e isso acaba não sendo compreendido dentro de casa. Foi o que aconteceu comigo, eu sou casado duas vezes, minha primeira esposa não entendia isso. Eu era o editor do jornal, tinha que ficar lá até duas da manha pra fecha-lo.“Como você vai outra vez, vai sair de noite outra vez”, “Mas eu tenho que fechar o jornal”. Mas isso ai acabou deteriorando o meu relacionamento. Não fui eu que me separei, foi ela quem se separou. (risos). Todos os jornalistas que eu conheço estão no terceiro ou quarto casamento. E para resolver a questão eu me casei com uma jornalista.


SARAU - O senhor escreveu um artigo, “As Universidades e o Serra” (Publicada em 3 de junho do ano passado, no Jornal da Cidade), que teve grande repercussão no meio acadêmico, na ocasião dos protestos contra os decretos do governador José Serra. Como o senhor avalia essa questão?

ZB - As greves têm seu lado bom. Mas para o currículo escolar a paralisação demorada prejudica o rendimento e a transmissão de conhecimento. Há o custo/benefício. Devemos melhorar a universidade, batalhar pela melhora nos níveis de ensino. Às vezes para conseguir isso, o estudante precisa adotar medidas nada românticas. Foi o que ocorreu na última greve, em que eu escrevi um artigo sobre a invasão da reitoria na USP. A imprensa chamava aqueles jovens de baderneiros. Na minha visão eram “heróis da resistência”. Porque não é mole ficar num inverno chuvoso, ir acampar na frente da reitoria, comer mal, dormir mal, trepar mal, porque lá o chão é muito duro. Quanto à imprensa chamá-los de baderneiros, eu acho errado. Estavam defendendo uma causa. Não existe nenhum interesse, por parte das autoridades universitárias, de fazer um dialogo tornar-se produtivo, então é necessária a força, é assim que ocorrem todas as guerras. É assim que Marx e Lênin pregavam, “não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos”.


SARAU - O senhor acredita que há má vontade ou falta de disposição do Estado para que o Ensino Superior se desenvolva?

ZB - Exatamente, Educação nunca foi prioridade neste país, seja em todos os níveis, eu acho isso ai vergonhoso. Os governos se sucedem e todos eles querem apenas obras de fachada, obras que rendam votos. Então no governo militar construíram a transamazônica, e o que é hoje a transamazônica? A estrada das onças. Construíram a ponte Rio-Niterói, estádios de futebol nas grandes cidades. Um deles, construído em João Pessoa, era maior do que o número de habitantes da cidade, nunca lotou e nunca vai lotar.Por isso que temos um dos mais baixos rendimentos escolares do mundo. Nos igualamos ao Sudão e à Etiópia em rendimento escolar. Os alunos saem do primeiro grau sem capacidade para ler um parágrafo do livro e muito menos para interpretar esse parágrafo. Matemática, então, estamos em centésimo nonagésimo lugar. E como não temos uma consciência cidadã no Brasil, ninguém se preocupa com a educação.

SARAU - Estamos acompanhando notável avanço nas tecnologias digitais. Como será a relação dos veículos tradicionais com as novas mídias?

ZB - A internet ainda está em fase de criação e de modificação. Nós conhecemos hoje a internet, naquela telinha do nosso monitor, mas ela pode se transformar em uma folha de papel, permanente, do tamanho do jornal standard, onde se clica com o dedo e as notícias vão aparecendo como se fosse em um jornal convencional, só que não se utiliza papel, só uma folha de polipropileno que contem certos chips e sistema de captação.
Então tudo essas novas tecnologias estão sendo estudadas. No The New York Times, há uma comissão permanente, composta de jornalistas, cientistas, comunicólogos, pra estudar a evolução das maneiras de se comunicar nas novas tecnologias. Aqui no Brasil eu não conheço iniciativas parecidas.

SARAU - Há risco dessas novas tendências na mídias suprimirem as ditas mídias tradicionais?

ZB - Agora temos também o problema do rádio-jornalismo com a digitalização do rádio. O telejornalismo com a sua digitalização. Os automóveis já estão saindo com a internet acoplada. Existem rádios hoje que são transmitidas vias satélite..
Então, a transformação é muito grande. Agora existe uma coisa que não vai passar da moda, que foi objeto de minha tese de doutorado, a comunicação local. Há dois pólos, o pólo global e o local, comunicação de proximidade, como eles chamam, micro-regional, essa sempre será importante. A notícia tem como um de seus atributos a proximidade geográfica. O que está acontecendo na sociedade sempre será prioridade. Veja que em casa tenho duas filhas moças, e elas não lêem jornal como todo jovem, mas quando chega o final de semana , na sexta-feira, elas querem o suplemento cultural, pra ver a agenda do final de semana.. Isso nunca sairá da moda, essa notícia de proximidade, essa comunicação comunitária.


SARAU - Como o senhor avalia a situação do jornalismo local no Brasil?

ZB -Os meios de comunicação locais perdem muito tempo com o global. Isso se justifica também, por estarmos em um país muito pobre, as pessoas não têm dinheiro pra comprar dois jornais como acontece em países como o Japão, a Europa, os EUA. Aquele sujeito que só pode comprar o jornal da cidade tem que ter algumas notícias internacionais para não ter que comprar outro. É importante que esses jornais dêem essas noticias, mas eles gastam muito espaço, poderiam ser mais resumidas, e os meios de comunicação local se ater mais ao que acontece na comunidade, tem tanta coisa importante ai acontecendo, e ninguém fica sabendo, o que é uma pena.
Então a televisão dá ênfase à mesma coisa, nós não temos espaço para a nossa criação nem facilidade de divulgação, porque na televisão há até uma obrigação constitucional de abrir espaço para o regional e o local, principalmente para o noticiário local, mas também para a criação local. Toda forma de expressão artística ou verbal local devia “direito de antena”, isso no México já existe, na Europa também existe, todo meio de comunicação tem que facilitar a democratização do meio onde ele está instalado.


SARAU - Muito se falou a respeito da televisão digital, que ela democratizaria a produção televisiva brasileira. O senhor acredita que isso realmente é possível?

ZB - Em curto prazo isto não vai ocorrer, porque a TV digital requer um investimento financeiro muito grande. A legislação prevê que uma emissora comunitária se preste bem a esse papel fazendo entrevistas com as pessoas da comunidade, sejam elas importantes ou não, abrindo espaço para as várias correntes de opinião. Mas para se digitalizar ela terá que gastar pelo menos dez vezes que já gastou e do que compõe seu capital como empresa e não sei se o dono da televisão tem essa disposição de democratização. Portanto, existe essa dificuldade na digitalização e em curto prazo haverá esta opção, mas, evidentemente, isso permitirá uma melhora de padrão técnico e, se puder existir uma televisão comunitária com o mesmo padrão de imagem da TV Globo, poderá ser transmitida alguma coisa em pé de igualdade, Resta só o problema da formatação, mas pelo menos a imagem será limpa. A formatação é secundária, o difícil é se assistir a uma imagem toda poluída, cheia de chuvisco, é desagradável.


SARAU - O senhor vê a mídia como o Quarto Poder? Acredita que ela assume um caráter formador de opiniões?

ZB - A mídia nunca foi o quarto poder, nunca foi capaz de modificar momentos importantes da história brasileira. Já quanto a formação de opinião, depende de vários componentes, ninguém consegue convencer ninguém através de um artigo, de uma série de escritos ou de programas de televisão e rádio. A formação de opiniões é sempre produto de um reprocessamento de informações, e isto está cientificamente comprovado. As pessoas recebem informações e acrescentam valores arraigados a sua cultura e a sua educação para que se chegue a um veredicto em determinada situação. O jornalismo é apenas parte desse processo.

SARAU - O senhor acredita que vale tudo se para conseguir uma notícia?

ZB - Isso envolve aspectos ativos muito importantes e tem que haver mais reflexão sobre isso. Até onde é válido ir para se conseguir uma informação? O jornalista foi feito para escrever notícia e não para morrer, como fez Tim Lopes, que se envolveu numa missão perigosa na favela e acabou morrendo. Isso não deve ser exigido do jornalista e nem ele deve ter essa pretensão de aparecer. Já vi casos de jornalistas se oferecerem como refém de assaltante de banco para que outro refém fosse libertado. Evidentemente que ele só queria contar uma bela história. Isso tudo faz parte da “sociedade do espetáculo” e eu não concordo isso, tudo tem seu limite. Temos que ter uma coragem, mas uma coragem editorial, de escrever mesmo sob pressão dos poderosos, dos ricos, dos políticos e, às vezes, até desafiando o próprio interesse da empresa. Mas não deve se partir para o exagero de se entrar numa guerra, na frente de batalha, com o peito aberto, arriscado a levar um tiro que certamente levará.


SARAU - Falando em “sociedade do espetáculo”, nós estamos assistindo a um grande show sensacionalista da mídia com o caso Isabela e o julgamento do casal Nardoni. Como o senhor vê esse problema na imprensa?

ZB - É uma repetição do que eu aprendi com Guy Debord, sobre a “sociedade do espetáculo”, com a espetacularização da notícia a imprensa corre sério risco de repetir a história da escola de Base, de cometer uma injustiça contra essas pessoas que são apenas suspeitos. A legislação de todos os meios civilizados prevê a presunção de inocência, todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Eles ainda não foram julgados e condenados, portanto eles têm de ser tratados como suspeitos se fossem os autores do crime. Além disso, presença constante da televisão atrai muita gente que quer aparecer. Pessoas que se aglomeram em frente da casa dos pais, que não têm nada a ver com isso, a não de serem pais dos acusados. A comercialização sobre tudo isso, com aquela aglomeração de pessoas vai um cara e começa a vender sorvete Daqui a pouco um cara instala um parquinho de diversões com roda gigante como no filme A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder, lá na porta da casa da família Nardoni. Tudo isso é um exagero, a evocação do imaginário popular é que vende e esses exageros a imprensa tem o dever de evitar para a proteção, inclusive, da lei e dos direitos humanos.

SARAU - Finalizando a entrevista, o que o senhor espera de um aluno de comunicação social?

ZB - Eu espero que eles saiam da universidade conscientes que têm uma missão a cumprir e essa missão é a defesa dos interesses da maioria.
A sociedade brasileira precisa evoluir muito, nós temos grandes bolsões de miséria, apesar de ter melhorado um pouco, mas nós temos trinta e sete milhões de analfabetos funcionais. Isso é muito ruim, nós precisamos de mais investimentos na educação, nós precisamos de mais investimentos na saúde. Então esse é um dinheiro que está fugindo pelo ladrão, temos muita corrupção e se os jornalistas não lutarem contra ela, principalmente para melhorar o legislativo, aquilo que é público é usado como pessoal. Isso ai tem que acabar e essa é a grande missão de vocês quando saírem da faculdade. Espero que vocês não se conspurquem, usando um termo jurídico... Não vendam a alma ao diabo! E evidentemente vocês não poderão se abstrair das necessidades das leis de mercado. Vocês não podem ser tão utópicos a ponto de ignorar isso, mas nunca devem se esquecer que tem que sobrar sempre um tempinho pra combater as mazelas sociais deste país, que são muito grandes.


Colaborou para a editoração da entrevista Vanessa Silva(glória)

Enquanto o trem não passa

"Saudosa Maloca, Maloca querida, dim dim Donde nóis passemos os dias feliz da nossa vida."Esses não são os versos com os quais Adoniran Barbosa imortalizou minha terra natal. Todavia, a letra de Saudosa Maloca diz bem mais sobre o que sente um Jaçanaense "fora de casa", posto que desde meados dos anos 60, o "Trem das Onze" não passa mais por lá.Burocraticamente, apesar de ser conhecido em muitos lugares como o bairro da premiada canção do sambista, Jaçanã é na verdade um distrito, á propósito, relativamente grande, e entre os bairros que o constituem, está a Vila Constança ,onde morei por doze anos, quase até o final do último verão.Não é nem de longe uma das regiões mais badaladas de São Paulo. Na verdade, salvas as avenidas principais, o jaçanã em pouco lembra a grande metrópole. Aliás, até onde esse distanciamento é possível, é um distrito bastante pacato.Infelizmente, e como não poderia deixar de ser, o estado não é muito eficaz na região, o que pode ser constatado pela má qualidade do asfalto e pelos precários sistemas de saúde e educação. A infra-estrutura desses sistemas existe, mas não há manutenção, só inaugurações e recapeamentos. É um distrito com muitos bairros residenciais. Muita gente que mora na região, que fica na zona norte, fazendo fronteira com o município de Guarulhos, trabalha no centro da cidade, e segue a rotina padrão da periferia de São Paulo: acordar cedo, utilizar-se do transporte público pra ir ao trabalho, voltar pra casa as seis horas da tarde em horário de pico. Pra fazer a migração pendular de cada dia, os jaçanaenses se afunilam em direção a estação de metrô Tucuruví, enfrentando um indigesto engarrafamento na avenida Guapira. O trânsito é a marca paulistana mais forte no distrito que possui praças onde ainda é possível reunir os amigos para tocar violão ou jogar damas. Ameno como só ele, o Jaçanã é o lugar pra onde volto, sempre que as lembranças deixam de ser suficientes pra matar a saudade forte que sinto longe de casa.
Saudades das pitorescas cenas do bairro que inchou com o município, mas que preservou seus símbolos: A Igreja de Santa Terezinha continua sem cadeiras suficientes para o grande número de fiéis que aparecem aos domingos; o time do Clube Guapira se mantém como grande esperança jaçanaense no esporte (torcemos muito para que o time acesse a alguma divisão relevante do campeonato paulista para que vejamos os grandes clubes paulistas jogarem perto de casa); o centenário Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II ainda é conhecido apenas como Asilo dos inválidos e mantêm seu funcionamento regular.
Já que chegamos ao Asilo, aproveitemos que é cedo pra ficar mais um pouquinho. Logo Dona Ema virá conversar conosco. Ela é uma senhora já com suas 93 primaveras que cuidou sozinha dos filhos, teve uma série de dificuldades, as quais superou com muita disposição e trabalho. À propósito, Dona Ema vem visitar o Asilo. Como ela diz, vem cuidar dos velhinhos, rezar um pouco com eles, conversar com o pessoal que trabalha aqui que sempre a trata muito bem. E vem pra cá caminhando, apenas com o auxílio de sua sombrinha, no mesmo trajeto de calçadas desniveladas e esburacadas pelo qual regressa ao final da tarde, com uma vitalidade contrastante com as rugas de sua mão, mas que é a tradução literal do brilho de seu sorriso.
Desculpe-me. Por um devaneio que a nostalgia e o adiantado da hora me trouxeram, senti-me de novo na estação onde não passam mais os trens de Adoniran. Não vou corrigi-la, no entanto. Opto por deixar-te com essa imagem quase onírica retratada por minha saudade. Espero que também ouça o apito que chega á gare, hora de partir.

Dêem á César o que é de sócrates

Falando em política/repórter Thiago Teixeira (j.b.) / 7' texto de rádio, porisso tão redundante
Loc 1:Começando a série sobre religião e política ,O quadro almanaque fala de Fundamentalismo religioso e Praticas políticas. Veremos como religião e governo se relacionaram na história, falaremos sobre o Fundamentalismo religioso, vamos observar alguns exemplos de culturas fundamentalistas atuais e históricas.
Loc 2:Vamos ver como é a vida nos Estados em que a religião tem influência direta nas decisões do governo .Para concluir, discutiremos o aumento dos candidatos religiosos nas eleições nacionais.
Loc 1: A relação entre religião e política é muito complexa. Nem sempre os dois conceitos estiveram separados. Nas primeiras sociedades, em geral, o chefe de Estado era também um representante religioso.
Loc 2: Existem muitos exemplos de civilizações que o chefe do estado era visto como uma divindade. O faraó egípcio e o imperador romano são exemplos de líderes que exerciam as duas funções. O grande poder que possuíam permitia conter qualquer forma de contestação.
Loc 1:No Egito, muitos morreram na construção de templos em homenagem aos Faraós, que eram admirados por seu povo como deuses. As famosas piramides teriam curtado a vida de muitos egípcios.
Loc 2:Durante o Império Romano, os chefes de estado eram venerados pela população. Como eram superiores do exército, usavam a força para conter qualquer ameaça rebelde. Para evitar que o povo ficasse contra suas leis, os imperadores adotavam medidas populistas para desviar a atenção da população romana de suas crises.
Loc 1:Essa estratégia ficou conhecidas como política do pão e circo. Baseava se realização de eventos como os duelos de gladiadores e banquetes, para que o povo se alegrasse, deixando de se importar com as regras que eram impostas.
Loc 2: É muito delicado conferir a uma só autoridade tanto poder. O Estado fica a mercê das vontades de um líder que controla a economia, o exército e as leis com a prerrogativa da divina inspiração. A fé surge como mecanismo de defesa, sobretudo nos lugares onde a opressão é mais cruel.
Loc 1: Como o representante do Estado era também o chefe religioso, usava dessa condição pra justificar suas regras. Assim, o líder manipula a população e recebe seu apoio.
Loc 2: Muitas vezes, o povo oprimido se devota a religião integralmente. Algumas pessoas se apegam as crenças de forma tão radical que se tornam intolerantes a opiniões ou comportamentos que não confirmem o padrão que a crença estabelece.
Loc 1: Essa forma extremista de alienação, de condenar aquilo que não pertence ao código religioso recebe o nome de fundamentalismo ou fanatismo religioso.
Loc 2: É comum referir-se ao oriente médio sempre que se fala em fanatismo. A região é palco de conflitos entre muçulmanos xiitas e sunitas e disputas territoriais entre a comunidade muçulmana e o Estado de Israel. Existem muitos problemas naquela área e a religião é o fio condutor dos conflitos.
Loc 1: Apesar do preconceito já ter se estabelecido, é muito injusto generalizar muçulmanos ou judeus como fundamentalistas. Até por que, a maior religião ocidental tem sua história marcada por abusos cometidos por seus representantes.
Loc 2:O Cristianismo teve grandes problemas com o fundamentalismo no passado. Quando a doutrina surgiu, seus fiéis eram perseguidos pelos Romanos. O imperador enviava os cristãos aos leões porque acreditava que a religião negava a condição divina de seu cargo.
Loc 1: Curioso pensar que o Catolicismo que foi oprimido por Roma veio a se tornar religião oficial do Império. Triste perceber que muitos morreram defendendo sua fé em um credo que mais tarde viria a eliminar seus opositores da mesma forma.
Loc 2:durante a idade média, o catolicismo coordenou o pensamento do mundo. Censurou livros que poderiam negar o que a religião afirmava, forçou a conversão a fé católica por meio de pressões e torturas, excomungava os hereges e queimava em praça pública ,oçasacusadas de bruxaria.
Loc 1: Hereges eram aqueles que questionavam doutrina católica. o Termo vem de Heresia e, ironicamente, quer dizer escolha. Muitos foram executados pela igreja Católica medieval por acreditarem em outras religiões.
Loc 2: O fundamentalismo é bastante recorrente na história da igreja católica, como vítima dele ou, principalmente,como praticante. Uma desculpa para o fanatismo muito usada foi o medo do estrangeiro. Esse argumento permitiu muitas Cruzadas ocorressem.
Loc 1: A intenção das cruzadas era combater a ameaça islâmica. Muitas excursões com a proposta de retirar Jerusalém do domínio islã foram realizadas. Na disputa pela Terra Santa morreram muitos cristãos e muçulmanos sem que alguém pudesse dizer que saiu vitorioso.
Loc 2: O Islã tem várias divisões, sunismo e xiismo são os principais. Um país sob um regime sunita é a Arábia Saudita. As leis Sauditas são um código completo de comportamento, que tratam de atividades públicas e privadas. O rei Abdallah é também o imã ,chefe religioso. O monarca é apoiado por conselho de ministros , pela família real e pelos ulamas ,que são sábios religiosos. O código de leis,a Chariá, é seguida a risca na Arabia Saudita. A liberdade feminina é muito limitada e chega a extremos de punição a chibatadas a uma mulher que saia com um homem estranho.
Loc 1: A intervenção a religião no estado tem muitas histórias lamentáveis. No entanto, percebe-se no país um grande aumento no número de candidatos que usam a religião como cabo eleitoral.Cabe a você eleitor,decidir se ofatode um indivíduo pertencer a determinada religião o torne melhor candidato que os outros.Ou ainda,decidir se quer mesmo que a religião interfira na política.

sábado, 10 de maio de 2008

Matéria sobre a Terra indígena raposa-Serra do sol, falando em política:

Tensão em Roraima. Terra indígena já homologada corre o risco de ser retirada dos índios. Foi cancelada, ou pelo menos adiada, a retirada dos não-índios da área de reserva demarcada pelo governo federal. Uma ação cautelar suspendeu a operação upatakom Três até que a homologação da terra seja definitivamente julgada.

A Determinação da área como terra indígena assegura que o estado nacional seria responsável pelo território e garantiria o proveito da terra para os índios, como acredita o técnico de indigenismo da Funai , biólogo mestre doutor em Agronomia , Julio César de Moraes.

A homologação, confirmada em 2005 pelo presidente Lula, é fruto de um processo iniciado pela FUNAI na década de 80.A demora na efetivação do projeto teve seu preço:durante os tramites judiciais para que o território passasse para o domínio indígena, agricultores invadiram a área .No início dos anos 90, os ocupantes desenvolveram principalmente a cultura de arroz, nas proximidades do município de Uiramutã. Segundo o técnico da FUNAI, como os agricultores desenvolveram uma atividade comercial bastante rentável, acabaram influenciando algumas tribos.
Contrário a essa visão, o Líder da resistência dos rizicultores, Paulo César Quartiero afirma em entrevista ao Site da agência de notícias Radiobrás que “Os indígenas querem progresso. Será uma virada de página no enfoque do tratamento da Amazônia, para entender que é necessário preservar primeiro o interesse nacional e a soberania”.

O líder dos rizicultores conta ainda com o apoio do governo do Estado de Roraima e dos senadores do estado, Mozarildo Cavalcante do PTB, Augusto Botelho, do PDT, e Wirlande da Luz, do PMDB para que a seja revista demarcação da terra indígena. Pela definição,atual, a terra indígena está homologada de forma contínua, ou seja: toda a área interna aos limites da Raposa serra do sol está sob a defesa do Estado Brasileiro, mas só pode ser usufruída pela comunidade indígena da região. Este modelo é defendido pela FUNAI como declara Júlio César de Moraes.
Já os rizicultores, apoiados por alguns indígenas se recusam a sair da região. Apesar da ilegalidade da ocupação, os rizicultores e os senadores do estado de Roraima desejam que a homologação conceda parte de seu território ás plantações. Após a homologação, os arrozeiros receberam prazo até abril de 2006 para se retirarem, recebendo indenização da FUNAI pelas benfeitorias na região além de cadastramento e assentamento pelo Incra . O arrozeiro Luís Afonso Faccio, da Associação dos Arrozeiros de Roraima, alega que é insuficiente o valor já depositado pela FUNAI , que corresponde a um vigésimo do valor das benfeitorias.os invasores também reclamam que a rizicultura não se desenvolverá igualmente nas terras destinadas ao reassentamento.

Entre os argumentos da associação dos arrozeiros de Roraima para defender a permanência na região estão a área requerida e a efetividade da plantação. A associação afirma que o território ocupado é de apenas um centésimo da terra indígena e que a cultura de arroz representa treze por cento do Produto Interno Bruto Roraimense, gerando sete mil empregos diretos e indiretos. O governador de Roraima apresenta números distintos. Para José de Anchieta júnior, a rizicultura seria responsável por seis por cento do PIB e por dois mil empregos diretos que seriam prejudicados com retirada dos arrozeiros.

Apesar de contestar os números apresentados pelos rizicultores, o governador chegou a dizer em coletiva que a decisão do Supremo tribunal federal, que suspende a operação upatakom três, é uma vitória do povo trabalhador do estado, e que o Conselho indígena roraimense, o CIR, deveria acatar a decisão, cogitando até mesmo chamar o exército brasileiro para garantir a paz se necessário.

A Polícia federal, que não interveio nos dois anos e meio em que a homologação esteve confirmada, atua na região para amenizar os possíveis conflitos entre indígenas e posseiros.

Os rizicultores comemoram a suspensão da operação upatakom três pelo Supremo Tribunal federal. Houve carreata nas ruas da capital com o Deputado Marcio Junqueira, do DEM, antigo PFL, sem relatos de qualquer tipo de violência. Bastante diferente das comemorações da homologação, em 2005, quando um incêndio em uma ponte impediu três mil pessoas de comparecerem a comemoração e um esquema de segurança teve de ser elaborado para a proteção das autoridades.

Hoje, indígenas e rizicultores aguardam o julgamento final da homologação da Terra indígena Raposa Serra do Sol. Como tradições devem ser preservadas, o julgamento no supremo tribunal federal não tem data definida. Durante o impasse, a polícia federal montará guarda na reserva, coma intenção de proteger os moradores, legítimos ou não. É bom que se observe atentamente o que vai acontecer em Roraima. Uma decisão pró-indígena nos livrará de parte da culpa histórica que carregamos, ás custas do desenvolvimento de um estado que possui quarenta e seis por cento de seu território destinado a territórios indígenas. Uma decisão pró-rizicultores nos sacrificará um mínimo de dignidade que supomos possuir, em apoio a pessoas como Quartiero, cassado por compra de votos para a prefeitura de Pacaraima, município no interior da reserva. Ambas decisões devem gerar conflitos, mas adiar esse julgamento é por certo decisão pior que as duas : se passar muito tempo na região , é possível que a polícia federal acabe querendo um terreno por lá também...


Paulo César Quartiero foi preso por ferir a bala índios que invadiram sua propriedade...parece que não gosta de ter sua terra invadida. Por que será ele acha que os índios gostam da intromissão dele na região?

hu-hum , são os terríveis estrangeiros querendo roubar o que é nosso...como eles são maus. Usam os índios pra alcançar seus objetivos malígnos.

Desculpe-me pela irreverência:Se há uma ameaça ao território brasileiro, o exército resolve.Nada impede que as forças nacionais atuem para defender a TERRA INDÍGENA (sabe o que indígena quer dizer?), aliás , é dever do exército defendê-la, posto que a coletividade indígena está sob a tutela do Estado.Essa história, lamento, não cola.

No líbano, o hizbollah usa uma tática semelhante de propaganda:alega que o governo é pró israel, frança e estados unidos pra intervir belicamente alegando que a influencia estrangeira é o grande mal do país(mesmo sendo financiado pelo irã e pela síria).

A alegação econômica é ultrajantemente egoísta.O estado era indígena. Na verdade , o continente era, mas esse tipo de justiça não vai acontecer.Quartiero atirar em invasores é , no mínimo, uma contradição.Se ele pode invadir a terra indígena , por que o inverso não pode ocorrer?

há arrozeiros que merecem ser resarcidos pelo investimento , e reassentados com igual possibilidades de desenvolvimento de sua cultura, mas devem sair de um território que não lhes pertence e que não poderia ser vendido.

A Inverossimilhança cotidiana

Depoimento da jovem Tânia Araújo Vieira sobre o que a vida lhe reservou.

Escrever uma história dramática não é das tarefas mais simples. Não são raros os exemplos no cinema e na teledramaturgia em que os autores erram a mão e contam histórias excessivamente emotivas. Contudo, algumas pessoas têm histórias pra contar que a seqüência absurda dos fatos nunca poderia convencer alguém, não fosse simplesmente por ter realmente acontecido. Tânia Araújo Vieira é uma dessas pessoas.As OITO postagens abaixo são da edição de uma entrevista emocionante que me fora cedida no último sábado , dia 03/05.